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domingo, 24 de agosto de 2008

Sobre a resenha, posts pagos e outras historias de problogers!






Três semanas atrás recebi um e-mail de uma agencia de publicidade especializada em internet. Que me perguntava se toparia receber uma copia da biografia de Paulo Salim
Maluf.
E se depois de ler poderia postar uma resenha.
Nessa hora há muito já tinha na mente uma matéria sobre post pagos. Isso após uma certa confusão que houve no universo dos problogers e afins.
No caso o lançamento do novo isotônico da Coca Cola: o I9.
Na questão da I9, vários blogueiros receberam uma amostra para degustação, e agência de publicidade da Coca pediu para cada um posteriormente publicar um post de opinião sobre a mesma. Para quem não soube do caso houve uma certa celeuma, pois ficou no ar uma discussão sobre se deveriam ou não postar, se seria considerado um post pago#, se seria ético, e por fim, se as opiniões seriam verdadeiras.

Coloque-se no lugar de um deles... Chega a gigante Coca Cola company e te pede uma opinião sobre um produto.
É ai? Ficar "de mal" com a Coca ou não (deve ter tido neguinho pensando: Faço um post legal é de repente as portas das agências de publicidade se abriram para mim, e dinheiro saira voando dê-la para cá.).  Outros pensaram: Oba mais brindes virão (quem sabe uma viagem com tudo pago ate Atlanta* ou Las Vegas...).
Eu já tinha ganho algumas coisas via Web, através de participações em sites. Mas nada de alto valor. Cerveja, brindes, um livro (que alias nunca chegou), e ingressos de teatro e Pré-estréia no cinema.
Portanto de baixo valor. Assim como o livro de Maluf.

Eu pessoalmente não me importo em ter opinião.
E dou de bom grado a mesma todos os dias em meus blogs.
Seria contra-senso não dar opinião sobre um livro não é?
Ainda mais se o tema ser justamente relativo a um de meus blogs. No caso a cidade de São Paulo e seus personagens e historias, além dos problemas da cidade.
E cheguei a imaginar a possibilidade escrever sobre o assunto em alguma oportunidade (Tanto do caso I9 como da Biografia).
No caso da Coca/I9, acho que ter opinião não seria antiético desde que assim como faço agora, ficasse claro desde o inicio que houve um pedido.
E que o blogueiro aceitou e tem de certa forma a ver com o conteúdo do blog.  Já pensou se houve-se um blog tipo Eu odeio a Coca Cola (só falta haver um!) e o sujeito posta um texto a favor de uma bebida da mesma (e eu sei que é ilógico, pois a agencia não o escolheria).
Bom... Para encerrar posto hoje tanto a minha resenha como este texto, para que meus parcos leitores (parcos**mas de uma boa vontade imensa para com este humilde e iletrado escritor) saibam da situação como o texto e o livro saíram.

Posso até postar uma opinião, mas jamais sem abrir o jogo com os meus leitores.

*sede da Coca Cola
**Para alguns que não saibam o significado desta palavra: Poucos

Trechos das mensagens trocadas com a agência:

editora: A nossa idéia é enviar um exemplar do livro para que você possa escrever uma resenha a respeito, com a sua opinião sincera, seja ela positiva ou negativa.
Por favor, me avise se há interesse.
minha resposta:
Sim se for sem compromisso..
Mas admito que provavelmente terei opinião.
abraços
editora:
Então...é sem compromisso sim, gostaria muito que vc comentasse a respeito do livro, se possível com foto e link para o mini-site.
Queremos que vc dê a sua opinião sincera a respeito do livro, não se preocupe quanto a isso.
# Post pago: é quando um cliente ou agência paga para um blog postar sobre determinado assunto. Prática oriunda da propaganda, onde o negócio das agências é comprar espaço e (não é uma crítica, é um fato) não conquistar relacionamentos. Neste caso, as agência contratam blogs que tenham uma grande audiência e têm certeza que esta mensagem será vista por ela.

Leia mais:

Resenha: Ele. Maluf, Trajetória da Audácia

Profissionais defendem ação da Coca com blogueiros

Coca-Cola lança i9 Hidrotônico com ação para blogueiros

sábado, 23 de agosto de 2008

Resenha: Ele. Maluf, Trajetória da Audácia

Figura emblemática da política Paulista e sem duvida alguma nacional.
Paulo Salim Maluf e figura sem par na historia recente da política Brasileira.
Nunca na historia recente do Brasil, tivemos alguém que de, exemplo do mais perfeito administrador, e homem de visão. De um dia para o outro se se transformara em grande paria e vilão.
Para logo em seguida novamente retornar nos braços do povo, e tornar-se novamente candidato a ser batido ao cargo mais alto do país.
E após eleger seu sucessor, cair junto deste num lamaçal de acusações e ações policiais.
Que inclusive o levaram junto com seu filho Flávio a prisão.

Eis que em plena campanha eleitoral na cidade em que por duas vezes foi prefeito e uma governador, e tentando o terceiro mandato de prefeito.
Sai (mera coincidência?) uma espécie de autobiografia de Paulo Salim Maluf.
Depoimentos prestados por ele a Tão Gomes Pinto, Jornalista e ex-editor e diretor da revista Veja.

Ele
Maluf, Trajetória da Audácia. 240 paginas.
Depoimento a Tão Gomes Pinto.

Da editora Ediouro.

Título do livro e como já citei, depoimento de Maluf a Tão e, portanto, baseado nas lembranças dele e não numa detalhada investigação do biógrafo.
Livro que tem então por assim dizer, a Alma de Maluf em cada frase. Para o bem ou para o mal.
Como o próprio autor diz: Ainda hoje Paulo Maluf e capaz de despertar amor e ódio.

O livro enfim

Após ler o livro posso dividi-lo em cinco partes.
A chegada da família ao Brasil e origem da sua fortuna.
Ate os primeiros anos de Maluf na política.

Os últimos anos da ditadura e começo da Nova (nova?) República, e as tramóias de lado a lado para escrever os capítulos da mudança de regime.
Alias esta e a anterior são as mais deliciosas paginas do livro, contando os meandros da politicalha nacional no findar da era dos generais, e mostrando que as coisas mudam, mas ficam iguais.

A terceira parte foca nas campanhas e mandatos de 1986 ate hoje. Esta ainda tem momentos interessantes e relevantes da política Paulista.

A quarta parte é basicamente uma defesa biográfica, uma tentativa de recompor a verdade (seja ela qual for). Apresentando explicações para as denuncias e sua prisão.

Por fim o livro se encerra com imagens da historia de Paulo Maluf e família, e citações de obras e imagens deste.

Resumo

Para quem viveu e vive a política paulista com eu.
Vê Paulo Maluf como figura ora de brilho intenso, como nas campanhas a presidência de 85 e a vitoriosa campanha a prefeito 1992.
Ora de sombras, graças ao infindável rol de denuncias que o perseguem desde do primeiro mandato de prefeito biônico em 1969/71.
Nesse vai vem já foi prefeito duas vezes e governador uma, mostrando força política típica de quem elegeria até poste. Elegeu um carioca (Celso "poste" Pitta) a prefeito em 1996. Duas vezes foi o deputado federal mais votado do país.
E em 1985 esteve próximo de ser o primeiro presidente civil e de certa forma de oposição aos Generais*.
Foi preso e mesmo assim neste momento, está em empate técnico com o atual prefeito Kassab na disputa a prefeitura de São Paulo (ambos estão entre a terceira e quarta posição).

Embora eu nunca tenha votado nele, muito ao contrario seja anti-malufista ferrenho.
Ao ler este testemunho admito que aos meus olhos, Maluf se tornou um personagem mais simpático e carismático.
Além de ser um verdadeiro paulistano da gema.

Vejo também que de certa forma, a imprensa o atacou talvez em demasia, e muitas vezes ate por preconceito como por exemplo no caso do Estadão: no livro cita-se uma frase que teria sido pronunciada por Julio de Mesquita Filho da família proprietária do jornal ao então governador de SP, Roberto de Abreu Sodré: "Sodré, esse Maluf eu nem conheço. Foi bem na Caixa (Caixa Econômica Federal). Mas o que não podemos concordar é que a cidade de São Paulo seja governada por alguém que come quibe"

E por fim por mais que o culpemos por gastos e desvios, como ele mesmo lembra a certa Altura, Maluf é Engenheiro da Politécnica da USP. Portanto conhecimento para obras ele tem. Nenhuma obra relevante dele que eu me lembre até hoje, apresentou Graves problemas estruturais ou mesmo falhas técnicas.
Ou seja, super faturadas ou não, obras das suas gestões estão ai ate hoje. Incluindo o memorial JK em Brasília, pago por SP.

Em suma um bom livro da historia política de Maluf e de SP.

O livro é como um capitulo da história de SP e do Brasil.
E Maluf é um personagem. Daqueles que nos fazem rir ou chorar e as vezes até torcer a favor.

*É de conhecimento da imprensa que nem Figueiredo então presidente (que constantemente dizia a seguinte frase: "esse turco f.d.p. não vai sentar na minha cadeira") e nem a alta cúpula militar era favorável a Maluf.

Link do livro AQUI

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