sábado, 23 de agosto de 2008

Resenha: Ele. Maluf, Trajetória da Audácia

Figura emblemática da política Paulista e sem duvida alguma nacional.
Paulo Salim Maluf e figura sem par na historia recente da política Brasileira.
Nunca na historia recente do Brasil, tivemos alguém que de, exemplo do mais perfeito administrador, e homem de visão. De um dia para o outro se se transformara em grande paria e vilão.
Para logo em seguida novamente retornar nos braços do povo, e tornar-se novamente candidato a ser batido ao cargo mais alto do país.
E após eleger seu sucessor, cair junto deste num lamaçal de acusações e ações policiais.
Que inclusive o levaram junto com seu filho Flávio a prisão.

Eis que em plena campanha eleitoral na cidade em que por duas vezes foi prefeito e uma governador, e tentando o terceiro mandato de prefeito.
Sai (mera coincidência?) uma espécie de autobiografia de Paulo Salim Maluf.
Depoimentos prestados por ele a Tão Gomes Pinto, Jornalista e ex-editor e diretor da revista Veja.

Ele
Maluf, Trajetória da Audácia. 240 paginas.
Depoimento a Tão Gomes Pinto.

Da editora Ediouro.

Título do livro e como já citei, depoimento de Maluf a Tão e, portanto, baseado nas lembranças dele e não numa detalhada investigação do biógrafo.
Livro que tem então por assim dizer, a Alma de Maluf em cada frase. Para o bem ou para o mal.
Como o próprio autor diz: Ainda hoje Paulo Maluf e capaz de despertar amor e ódio.

O livro enfim

Após ler o livro posso dividi-lo em cinco partes.
A chegada da família ao Brasil e origem da sua fortuna.
Ate os primeiros anos de Maluf na política.

Os últimos anos da ditadura e começo da Nova (nova?) República, e as tramóias de lado a lado para escrever os capítulos da mudança de regime.
Alias esta e a anterior são as mais deliciosas paginas do livro, contando os meandros da politicalha nacional no findar da era dos generais, e mostrando que as coisas mudam, mas ficam iguais.

A terceira parte foca nas campanhas e mandatos de 1986 ate hoje. Esta ainda tem momentos interessantes e relevantes da política Paulista.

A quarta parte é basicamente uma defesa biográfica, uma tentativa de recompor a verdade (seja ela qual for). Apresentando explicações para as denuncias e sua prisão.

Por fim o livro se encerra com imagens da historia de Paulo Maluf e família, e citações de obras e imagens deste.

Resumo

Para quem viveu e vive a política paulista com eu.
Vê Paulo Maluf como figura ora de brilho intenso, como nas campanhas a presidência de 85 e a vitoriosa campanha a prefeito 1992.
Ora de sombras, graças ao infindável rol de denuncias que o perseguem desde do primeiro mandato de prefeito biônico em 1969/71.
Nesse vai vem já foi prefeito duas vezes e governador uma, mostrando força política típica de quem elegeria até poste. Elegeu um carioca (Celso "poste" Pitta) a prefeito em 1996. Duas vezes foi o deputado federal mais votado do país.
E em 1985 esteve próximo de ser o primeiro presidente civil e de certa forma de oposição aos Generais*.
Foi preso e mesmo assim neste momento, está em empate técnico com o atual prefeito Kassab na disputa a prefeitura de São Paulo (ambos estão entre a terceira e quarta posição).

Embora eu nunca tenha votado nele, muito ao contrario seja anti-malufista ferrenho.
Ao ler este testemunho admito que aos meus olhos, Maluf se tornou um personagem mais simpático e carismático.
Além de ser um verdadeiro paulistano da gema.

Vejo também que de certa forma, a imprensa o atacou talvez em demasia, e muitas vezes ate por preconceito como por exemplo no caso do Estadão: no livro cita-se uma frase que teria sido pronunciada por Julio de Mesquita Filho da família proprietária do jornal ao então governador de SP, Roberto de Abreu Sodré: "Sodré, esse Maluf eu nem conheço. Foi bem na Caixa (Caixa Econômica Federal). Mas o que não podemos concordar é que a cidade de São Paulo seja governada por alguém que come quibe"

E por fim por mais que o culpemos por gastos e desvios, como ele mesmo lembra a certa Altura, Maluf é Engenheiro da Politécnica da USP. Portanto conhecimento para obras ele tem. Nenhuma obra relevante dele que eu me lembre até hoje, apresentou Graves problemas estruturais ou mesmo falhas técnicas.
Ou seja, super faturadas ou não, obras das suas gestões estão ai ate hoje. Incluindo o memorial JK em Brasília, pago por SP.

Em suma um bom livro da historia política de Maluf e de SP.

O livro é como um capitulo da história de SP e do Brasil.
E Maluf é um personagem. Daqueles que nos fazem rir ou chorar e as vezes até torcer a favor.

*É de conhecimento da imprensa que nem Figueiredo então presidente (que constantemente dizia a seguinte frase: "esse turco f.d.p. não vai sentar na minha cadeira") e nem a alta cúpula militar era favorável a Maluf.

Link do livro AQUI

1 Comentário:

Elizabeth Carvalho da cruz disse...

Paulo Maluf é o verdadeiro emblema da corrupção bem sucedida no Brasil.
É que a nossa justiça é cega por deficiência.

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